Um de meus mais aplicados alunos, Denilson (T2-noite) mostrou a grandeza de um aluno diante de seu professor. A maneira como agiu diante de uma situação adversa, mostra que a Bíblia acerta ao afirmar que sábios são os mansos. Denilson é sábio, por saber agir calmamente; seus conselhos valem 10 de minhas aulas... Fiquei feliz por ele tê-lo próximo.
Mais ainda fez Verônica, uma simpática aluna que disse-me uma coisa que me deixou, novamente, extreamente alegre.
Me senti tão feliz por esses dois existirem... Isso porque no dia anterior aconteceu uma situação que me fez refletir (novamente) sobre essa relação dos alunos e seus mestres.
No dia anterior, segunda-feira, notei "interessante" tom de voz que um adolescente usou quando, após apresentado a ele por sua mãe (minha querida amiga Márcia) perguntou-me: Só professor?
Olhei seus olhos e veio-me imediatamente a cabeça um artigo de
LIA LUFT que havia lido recentemente na Revista Veja e disse-lhe:
- só!
Após alguns minutos, voltei a ele e nos destacamos do grupo de amigos, pois achei melhor contar-lhe uma estória.
Perguntei-lhe.
- Diego, sabe qual a forma de governo do Japão? - e me preparava já para explicar-lhe sobre a monarquia quando surpreendi-me com a resposta.
- Sei!
Então parei por alguns segundos... Olhei-o novamente. Não queria constrangê-lo mas tb achei "diferente", pela confiança com que respondeu-me. Não tive então outra alternativa a não ser perguntar-lhe qual era, então.
Passaram-se uns três segundos... Uma eternidade em situações como essa... Não queria constrangê-lo, de maneira alguma. Então continuei: Lá no Japão a forma de governo é uma monarquia e...
- Isso eu sabia!
- Tá... - pensei em parar a conversa... adiantaria tentar falar algo para aquele rapaz? Mas resolvi continuar.
Contei-lhe então que após a segunda guerra o imperador ordenou que os professores não deveriam mais saudá-lo, como fazem todos os súditos do monarca. O Imperador entendia que, num país completamente destruído, o destino da nação estava nas mãos dos professores... e contei-lhe o restante. Ao final, disse-lhe que gosto de ser professor e me sinto útil por isso. Sentir-se útil, na minha concepção é melhor que ser valorizado.
O artigo a que referi-me tem uma parte em que a autora faz a seguinte ponderação:
Mal pagos e pouco valorizados, professores se encolhem, permitindo abusos inimagináveis al¬guns anos atrás. Uma adolescente empurra a professora, que bate a cabeça na parede e sofre uma concussão. Um menininho chama a professora de "vadia", em aula. Professores levam xingações de pais e alunos, além de agressões físicas, cuspidas, facadas, empurrões. Cresce o número de mestres que desistem da profissão: pudera. Em escolas e universidades, estudantes falam alto, usam o celu¬lar, entram e saem da sala enquanto alguém traba¬lha para o bem desses que o tratam como um fun¬cionário subalterno. Onde aprenderam isso, se não, em primeira instância, em casa? (A crise que estamos esquecendo
Revista VEJA, 08/04/09(p.24))
Será que o filho de minha dileta amiga é capaz de tacar fogo em mendigos ou agredir garotas de programa? Como será que se comporta em casa e numa sala de aula? Achei melhor, naquele momento, deixar prá lá. Mal fiz em conversar com sua mãe depois... Mãe é mãe... Disse-me que ele perguntou daquela forma pois sabia que era tb advogado.
- Ele queria saber se pode ligar para vc se acontecer alguma coisa com ele.
- Que tipo de coisa, Márcia?
- Agora ele vai sair de carro, e não tem carteira...
- Vai ligar pra mim? O que ele quer que eu faça, Márcia? O que vc quer de mim...
- Bom, é que se ele for pego pela polícia...
- Márcia, se ele não tem carteira, não devia estar dirigindo... Se vc sabe que ele age dessa forma, deveria tentar demovê-lo da idéia de praticar tal ilícito... Mas vc sabe que vai fazer, concorda que faça e, depois, quer que no meio da noite eu vá "dar um jeito"? Não me acorda pra isso não!
Lia Luft é que está certa... em casa, é que isso começa.
Porque Verônica e Denilso me fizeram feliz?
Isso eu conto amanhã, em postagens em homenagem a eles.
São quase três da manhã. Acordei às 07:00, dei aula de 15:00 às 18:00 e de 18:00 às 22:00. Hoje acordo antes das 06:00 pois encontro-me com outra turma na parte da manhã.
Estarei cansado? Talvez um pouco. Mas ao acordar, ao lembrar de Verôncia e Denilson, minhas baterias recarregam rápido.

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Uma boa quarta-feira para todos.
Falta pouco mais de 100 horas para o Exame 01/09 da OAB.